quarta-feira, 31 de agosto de 2011

PARTO

Fobias do parto

A partir do terceiro trimestre ocorre um fenômeno da maior importância. Com todas as estruturas fisiológicas formadas e funcionais, a existência no espaço aéreo agora é viável para o feto, que se encontra em pleno e rápido desenvolvimento, ganhando peso e volume.

Há, então, uma alteração na dinâmica psíquica da gestante, pois com a possibilidade de vida de seu bebê, mesmo num parto prematuro, altera-se, também, a percepção que tinha dele e que lhe permite começar a pensar quando será o parto e como será.

No decorrer das semanas, o corpo da futura mamãe vai se avolumando mais e mais, provocando-lhe um intenso desconforto físico. Percebe-se mais pesada e lenta, sem energia e disposição para manter suas atividades habituais, também porque não mais encontra posição confortável para dormir.

Embora todas as gestantes sintam-se mais limitadas, as reações são diferentes. Enquanto umas descansam, ficando um tempo maior deitadas e inativas, outras continuam hiperativas como negando a gravidez, uma vez que a baixa de atividade geral, significaria aumento na angústia. Uma parte considerável delas continua exercendo suas ocupações profissionais e do cotidiano, embora exigindo maior esforço. Com esta realidade que se lhes apresenta, a proximidade do parto é um fato inegável e percebida com grande temor, embora a evolução da obstetrícia moderna tenha diminuído sensivelmente o risco físico tanto para a parturiente quanto para o bebê. Podemos aqui incluir a mulher cuja gravidez foi planejada e que no decorrer desta tenha adquirido um grande amadurecimento emocional, desejando a chegada do bebê. Ela também sente a angústia do parto, embora com um grau suportável.

Assim, mais uma vez a ansiedade se exacerba e os sentimentos são ambivalentes: a vontade de terminar a gravidez e ter o filho alterna-se com a vontade de prolongá-la para que possa fazer as adaptações internas e externas necessárias para acolher o bebê.

É que neste momento a angústia tem raízes mais profundas e inconscientes. Todos os temores vivenciados desde o início da gravidez se reatualizam, porque com o parto, a mulher terá a constatação se os momentos de dúvidas, questionamentos e incertezas não prejudicaram o feto e se realmente é merecedora de ter um filho saudável e perfeito, ou seja, aquele que ela vai
ter que mostrar ao pai, à família e aos amigos em geral.

A angústia do parto é, talvez, a mais primitiva que se conhece, pois faz reviver o momento crucial em que ocorre a separação definitiva do corpo materno, quando do próprio nascimento.

A ansiedade mais expressiva que surge refere-se à data aproximada do parto: "quando será". Nesta questão, escondem-se outras: "como será o parto, como será o bebê, como serei enquanto mãe, terei condições de assumir o compromisso com esta nova vida..."

O conflito entre os conteúdos conscientes e inconscientes, que aparecem mais especialmente nesta etapa, facilita a revivência de conflitos infantis da gestante com seus pais de origem ou irmãos, que antes permaneciam reprimidos.

Desta maneira, surge a oportunidade de renegociar suas relações com a história familiar, encontrando novas possibilidades de solução ou então se intensificam os conflitos, o que certamente irá afetar a relação mãe-bebê.

Com os movimentos fetais, há, também, uma percepção maior das contrações uterinas, muitas vezes sobressaltando e atemorizando ainda mais a futura
mamãe.

Pouco antes do oitavo mês, pode se produzir a versão interna, que é o momento em que o feto posiciona-se de cabeça para baixo, à entrada do canal do parto.

A percepção deste movimento provoca, inconscientemente, uma intensa crise de ansiedade, cuja sensação consciente é de algo estranho acontecendo, podendo provocar certos processos somáticos, como: diarréias, constipação, aumento de peso excessivo, cãimbras intensificadas, crises de hipertensão e outros, cada um com seu significado psicológico próprio. O mais grave deles é o parto prematuro, quando as crises de ansiedade chegam a níveis insustentáveis. Não tolerando mais a situação ansiógena e precisando livrar-se dela com urgência, a dinâmica psíquica desencadeia o parto, funcionando como uma defesa ante a possibilidade de uma desestruturação psicológica.

Todos estes sintomas expressam, além do conflito, um pedido de ajuda e proteção por não conseguir suportar e elaborar a crise de ansiedade.

Vale dizer que os temores mais comuns que se expressam na gravidez apresentam um caráter de autopunição, do tipo: temor à morte no parto, à dor, incapacidade de criar bem o filho, ter leite fraco ou mesmo não conseguir produzir leite suficiente, parto traumático por fórceps ou cesariana, morte do filho, filho disforme... enfim, a gestante sente que não é capaz de defrontar-se com o parto e superá-lo.

Freqüentemente, nestes momentos de intensa crise, deixa de perceber os movimentos fetais, cuja vivência é extremamente dolorosa e angustiante, pois é associada à possibilidade de morte do bebê. Essa ausência de percepção deve-se à intensidade da angústia, bem como, pelo fato de o feto estar bem desenvolvido e não haver espaço intra-uterino suficiente para suas evoluções, além de que já existe certo grau de encaixamento.

É importante lembrar que não são apenas as primíparas a apresentar as fobias do parto. Por serem fobias profundamente enraizadas, ligadas à história da mulher, a esta gravidez, ao modo como sua mãe relatou o seu próprio nascimento, à história do casal e ao que ela espera deste filho, podem atingir as gestantes em outra gravidez e não necessariamente na primeira.

É muito comum as futuras mamães terem sonhos referentes ao parto, ao bebê, às alterações do seu corpo e às expectativas em relação a si mesma e ao bebê. O sonho tem uma função fundamental nestes casos, pois oferece a oportunidade de enfrentar antecipadamente a tensão do parto, numa tentativa de dominá-la, não devendo, porém, ser considerado como premonição, pois o verdadeiro significado só poderá emergir durante um trabalho analítico.

Atualmente, sabe-se que o futuro papai não fica imune às angústias durante a gestação de seu filho e elas também podem ser expressas através de sonhos e, muitas vezes, de distrações e esquecimentos, o que provocam grandes tensões entre o casal.

Por não ter com quem expressar o sofrimento que o atinge, ocorre de modo inconsciente e mais comumente do que se possa pensar, todo tipo de acidentes, depressão e comportamentos de fuga, como excesso de trabalho, novos interesses fora do lar e que atuam como uma forma de chamar a atenção e de reclamar o seu lugar, já que o ambiente imediato está às voltas com a gestante e esta com os preparativos para a chegada do bebê, tendo de lidar, também, com suas próprias ansiedades.

Um dos temores mais comuns é não saber reconhecer os sinais do parto e ser pega de surpresa. Assim, a qualquer sinal percebido como estranho, geralmente a gestante vai para a maternidade.

Os alarmes falsos têm duas funções tranqüilizadoras: além de permitir a liberação da ansiedade, funciona como um exercício da maneira como deverá se comportar no momento de ir para o hospital. Muitos homens aproveitam para cronometrar o tempo dispendido no percurso, pois o fato de saber em quanto tempo suas parceiras estarão sob cuidados médicos e hospitalares, acalma-os.

No caso de existirem outros filhos, estes devem ser preparados para a ausência materna, quando for ter o bebê. Utilizar-se sempre de palavras que expressam a realidade e que estejam de acordo com a compreensão de cada um. Mesmo as crianças de pouquíssima idade e até as que ainda não dominam o vocabulário conseguem captar o sentido do que vai sendo dito e isto as
tranqüiliza.

No momento em que o parto se aproxima, o ambiente mais próximo, preferencialmente as futuras vovós, entram num estado de grande agitação, fazendo planos e oferecendo assistência e colaboração após o nascimento do bebê.

O modo como este movimento será interpretado pela gestante depende de sua história, principalmente na relação com a mãe nos momentos mais precoces de sua vida. Ela poderá se sentir mais segura e agradecida ou, ao contrário, encarar como um comportamento invasivo que vem para confirmar a sua incapacidade em exercer a maternagem adequadamente.

Muitas vezes o ambiente imediato não consegue funcionar como continente para todas as angústias, temores, ansiedades e culpas que despertam na futura mamãe, porque também estão revivendo, de forma menos dramática, é verdade, seus próprios temores frente à vida. Assim, a gestante se percebe muito só, sem apoio e proteção, completamente indefesa, o que, por certo, aumentará a angústia, podendo chegar à depressão.

Faz-se extremamente prudente e necessário a ajuda de um profissional capacitado que possa acolhê-la, orientá-la e reassegurar-lhe a confiança e o bem-estar neste momento de crise ou mesmo de todo o período gestacional.

ORIENTAÇAO NA GRAVIDEZ

Orientação Psicológica da Gravidez

É com enorme prazer que inicio esta coluna voltada para a preparação psicológica da gestante, com o intuito de possibilitar uma vivência mais equilibrada de todas as emoções e manifestações que ocorrem neste período.

Tão importante quanto o acompanhamento médico pré-natal é a assistência e orientação psicológica à gestante. Cada um contribuindo para a saúde física e mental tanto da mulher quanto do futuro bebê.

Por ser o período mais rico e intenso de vivências emocionais e que por si só traz, para o relacionamento familiar, novas atitudes e responsabilidades, percebemos como é fundamental o compartilhar e o esclarecimento das ansiedades e preocupações que envolvem a decisão de se ter um filho.

Embora nem sempre pensada e planejada de modo claro e explícito, pode-se dizer que, em algum momento da relação, a gravidez foi desejada para que pudesse se concretizar. Podemos pensar então, que antes mesmo da fecundação propriamente dita, o bebê já existia na cabeça dos pais ou de um deles e que culminou com o "esquecimento da pílula anticoncepcional, da revisão do cálculo da tabelinha ou até mesmo na impossibilidade de se interromper o ato sexual para colocação do preservativo".

Desta maneira, a criança é gerada e o bebê da cabeça cria vida, tornando-se real.

A partir do momento que a mulher certifica-se da gravidez, tudo o mais em sua vida será diferente. Seja qual for a decisão, de levá-la a termo ou não, esta repercutirá de modo marcante e profundo nas pessoas envolvidas. Quanto às circunstâncias, a gravidez pode acontecer num momento em que menos se espera e planeja, como é o caso de adolescentes que, ao iniciarem a vida sexual ativa, sem os cuidados preventivos necessários, acreditam que "isso" nunca vai lhes acontecer, ou mesmo de adultos que não se encontram numa relação estável, com intenção de compromisso. Além disso, existem aqueles que priorizam a carreira profissional antes mesmo de concretizar o desejo de constituir família. Em qualquer desses casos , a gravidez nesse momento pode ser inoportuna.

Ter um filho não envolve apenas uma decisão de momento, porém um compromisso para o resto da vida e é por este e outros motivos, que a balança do querer e do não querer estará sempre oscilando de um lado para outro.

Os pais se percebem mais vulneráveis emocionalmente e não encontram significado para suas questões mais profundas e remotas. Ocorre, então, um retrospecto à infância, como se regredissem até ela em busca de respostas. Neste momento, o modo como cada um percebeu e vivenciou sua família de origem, irá permear todo esse período de espera: as mesmas angústias e incertezas, as mesmas alegrias e esperanças. Assim, o modelo de pais que tiveram constituirá a base do que pretenderão ser. Imitando-o ou rejeitando-o, o modelo serão os pais de origem.

As fantasias sobre o bebê e como serão enquanto pais têm um significado absolutamente próprio para cada parceiro, pois têm a ver com a própria história de vida.

A mudança do papel social também é um fator importantíssimo a se ponderar. Durante nove meses estará se instalando, no casal grávido, uma nova identidade. Deixarão de ser apenas filhos para tornarem-se, também, pais. Novamente o modelo da família de origem entra em jogo.

A tendência em se fantasiar como pais perfeitos leva à expectativa de ter o filho perfeito, aquele que corresponderá à idealização de perfeição: o filho bonito, obediente, educado, estudioso, saudável e vitorioso. Tudo que fugir deste protótipo será percebido como um fracasso ou falha tanto pelos pais quanto pelo filho, o que poderá acarretar grande culpa. E aqui entra o maior terror da gestante, quer seja, a possibilidade de ter um bebê que apresente alguma deficiência. Se, por acaso esta ocorrer, mesmo que seja por uma questão genética, a culpa que carregará pelo resto da vida é realmente insustentável.

As dúvidas e os temores que suscitam nesse período são muito naturais e esperadas, pois toda mudança envolve perdas e ganhos. A quê deverão renunciar e o quê poderá ser preservado.

Sexualidade é outro tema que causa grande preocupação nos futuros papais, mesmo que tenha sido liberada pelo ginecologista que os assiste. É como se a relação sexual, após cumprir o seu papel mais importante que é a preservação da espécie, perdesse a função do prazer pelo prazer.

A hipersonia ou o aumento da necessidade de dormir toma conta da mulher, como se seu corpo precisasse de mais repouso e menos estímulos para se preparar para todas as mudanças físicas e psíquicas que se iniciam.

As instabilidades emocionais, num momento em que está mais sensível, fazem com que muitas vezes sinta-se incompreendida.

Náuseas e vômitos, desejos e aversões, constipação e diarréia também são sintomas comuns na gravidez, mas que também trazem consigo significados psicológicos a serem desvendados.

E o marido, como percebe todas estas manifestações e o que significam para ele, uma vez que também está se preparando para a paternidade e, desse modo, também se encontra vulnerável e à mercê de suas próprias angústias e questionamentos.

Tanto quanto o físico feminino estar maduro para abrigar o óvulo fecundado, é imprescindível que haja uma preparação emocional para acolher este novo ser.

Meu intuito neste artigo foi apenas dar uma breve pincelada nos vários temas que poderão ser abordados, no sentido de analisar o profundo significado das emoções e manifestações deste período, que pode ser o mais sublime na vida do casal, mostrando, desta maneira, que a gravidez pode ser vivenciada pelos futuros papais e mamães, com menos ansiedade e culpa e mais alegria e prazer.

DEPRESSÃO MATERNA AFETA O BEBÊ

Depressão materna e o impacto no bebê

Ninguém pode negar a importância da presença da mãe para o desenvolvimento e crescimento, em todos os aspectos, da criança. A mamãe precisa ter energia física e psíquica para acompanhar todas as etapas da vida do seu filho, protegendo-o, traduzindo o mundo e satisfazendo as necessidades da criança.

A mamãe é a pessoa que dá a oportunidade do bebê conhecer o mundo, oferecendo o equilíbrio que a criança precisa para organizar todas as novidades que chegam diariamente.

Se a depressão materna acontece, principalmente se ocorrer na infância ou adolescência dos filhos, um grande impacto no comportamento e intelecto recai sobre essas crianças.

Desde o nascimento, o bebê precisa da ajuda da mamãe para conseguir sentir-se seguro, confiante e poder se desenvolver motor e cognitivamente. Uma mãe depressiva nessa época torna-se ausente e empobrecida de estímulos para seu filho.

O bebê já demonstra irritação com essa atitude depressiva, sendo um bebê choroso, tendo mais diarréia que um bebê com uma mãe não depressiva, não tem um contato visual constante com sua mãe ou com estranhos. A interação desse bebê com o mundo é precária e ele se identifica mais com o rosto de alguém triste do que com um alegre. Viu como um problema da mãe pode gerar tanto nó na cabecinha do bebê?

Futuro depressivo - Uma criança que tem a mãe depressiva tem maiores chances de desenvolver alterações emocionais, uma depressão, por exemplo, assim como a mãe.

Essas mamães têm problemas de impor limites: às vezes são permissivas demais e outras rígidas demais. Essa dificuldade faz com que as crianças, principalmente entre os 18 e 42 meses, tenham dificuldade de se relacionar com seus amiguinhos, criando relações inseguras e desorganizadas, com problemas claros de comportamento.

Alguns estudos realizados demonstram maiores índices de dificuldades escolares, seja por déficit de atenção ou distúrbio de aprendizagem, maior comportamento de risco e maior número de acidentes com os filhos de mães depressivas.

Um grupo de pesquisadores publicou um artigo na revista Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry em janeiro de 2007 relatando o comportamento de adolescentes cujas mães apresentavam episódios depressivos. Verificou-se maior número de usuários de drogas ilícitas, iniciação precoce da atividade sexual e maiores taxas de abandono escolar.

Os filhos, desde pequeninos, espelham-se bastante no comportamento materno. Proteção, acolhimento, apoio e correção colocados pela mãe são cruciais na formação e consolidação da personalidade das crianças.

Dicas

O apoio da família, terapêutico e social é importante para que as mães depressivas possam exercer sua função de protetora.

Um pai presente pode amenizar os riscos negativos que a depressão materna acarreta na vida dos filhos.

Quanto antes a depressão for tratada, menor será o impacto no desenvolvimento das crianças.

DEPRESSAO POS PARTO

Depressão pós-parto

Com o parto, ocorrem reações conscientes e inconscientes na puérpera e em todo o ambiente familiar e social imediato, que reativam profundas ansiedades. Uma das mais importantes é a revivência inconsciente da angústia do trauma do próprio nascimento: a passagem pelo canal do parto, que inviabiliza para sempre o retorno ao útero e empurra para um mundo totalmente novo e, portanto, temido.

A perda repentina de percepções conhecidas, como os sons internos das mães, o calor do aconchego, enfim, o sentido total de proteção, para o surgir de percepções novas e assustadoras.

A secção do cordão umbilical separa para sempre, o corpo da criança do corpo materno deixando uma cicatriz, o umbigo, que marca o significado profundo desta separação. Assim, no inconsciente, o parto é vivido como uma grande perda para a mãe, muito mais do que o nascimento de um filho. Ao longo dos meses de gestação ele foi sentido como apenas seu, como parte integrante de si mesma e, bruscamente, torna-se um ser diferenciado dela, com vida própria e que deve ser compartilhado com os demais, apesar de todo ciúme que desperta. Sendo assim, a mulher emerge da situação de parto num estado de total confusão, como se tivessem lhe arrancado algo muito valioso ou como se tivesse perdido partes importantes de si mesma.

Tanto quanto na morte, no nascimento também ocorre uma separação corporal definitiva. Este é o significado mais doído do parto e que se não for bem elaborado, pode trazer uma depressão muito mais intensa à puérpera: o parto é vida e também é morte.

Os sintomas do estado depressivo variam quanto à maneira e intensidade com que se manifestam, pois dependem do tipo de personalidade da puérpera e de sua própria história de vida, bem como, no aspecto fisiológico, as mudanças bioquímicas que se processam logo após o parto.

Além das vivências inconscientes em que predominam as fantasias de esvaziamento ou de castração, as mais intensas são as ansiedades de carência materna - quando a puérpera apresenta forte dependência infantil em relação à própria mãe ou ao marido - e as de autodepreciação, quando se sente incapaz de assumir as responsabilidades maternas, e até mesmo inútil, quando não consegue captar a compreensão do significado do choro do bebê para poder satisfazê-lo. Para poder suportar tais ansiedades, inconscientemente, alguns mecanismos de defesa são colocados em movimento, segundo as características pessoas da puérpera.

Dessa maneira, ela pode apresentar-se cheia de uma energia despropositada, eufórica, falante, preocupada com seu aspecto físico e com a ordem e arrumação do ambiente em que se encontra. As visitas são recebidas calorosamente e parece tão disposta, auto-suficiente, como se não precisasse de ajuda externa. Em contrapartida, manifesta alguns transtornos do sono, muitas vezes necessitando de soníferos.

Se o ambiente mais próximo não lhe oferecer carinho e atenções, tal estado pode produzir somatizações, como febre, constipação e outros sintomas físicos. Do mesmo modo, se as fantasias inconscientes não puderem ser contidas, surgem as ansiedades depressivas de modo ocasional ou em acessos de choro, ciúmes, aborrecimento, tirania ou em expressões de autodepreciação e de auto-acusação.

A puérpera, ao contrário da hiperativa, pode apresentar-se com um profundo retraimento, necessidade de isolamento, principalmente se há uma quebra muito grande do que esperava, tanto em relação ao bebê idealizado quanto a si própria como figura materna. A prostração e a decepção com sentimentos de fracasso e desilusão, têm também aspectos regressivos que se somam aos já produzidos pelo parto, com a reatualização do trauma do próprio nascimento, fazendo com que a puérpera sinta-se mais carente e dependente de proteção, como que competindo com o bebê as atenções do meio que a cerca.

A sensação predominante neste caso, é de sentir-se apenas a serviço do bebê, como se nunca mais fosse recuperar sua vida pessoal.

O homem também pode apresentar o quadro de depressão puerperal, embora com menos intensidade. A depressão masculina tem origem nos sentimentos de exclusão diante da díade mãe-bebê. É como se ele se percebesse apenas como uma pessoa provedora que deve trabalhar e satisfazer as exigências impostas pelo puerpério da mulher.

A própria vivência emocional do parto e a possibilidade de decepção quanto ao sexo do bebê, num momento em que todos ao seu redor parecem ocupados demais para lhe dar a atenção que necessita, muitas vezes encontra saída para suas ansiedades, no ambiente externo ao lar. Daí o aumento das atividades e carga horária no trabalho, relações extra-conjugais ou mesmo somatizações com ocorrências de doenças ou quedas com fraturas, para poder também chamar atenção sobre si.

No caso de já existirem outros filhos, estes também sofrerão impactos emocionais, com a ausência da mãe e o medo de perder seu amor em prol do novo membro da família. O modo como demonstrarão tais sentimentos, freqüentemente vão desde a regressão, quando solicitam novamente o uso da chupeta, apresentam transtornos do sono, inapetência, voltam a molhar a cama, até mesmo a negação da própria mãe, como se não precisassem mais de seu amor e cuidados. Neste momento, vinculam-se mais fortemente com o pai ou com a pessoa que as está atendendo, fortalecendo na figura materna o sentido de incapacidade, de não conseguir realmente dar conta das antigas e novas responsabilidades, concomitantemente.

É muito difícil determinar o limite entre a depressão pós-parto normal da patológica, chamada de psicose puerperal. A característica principal desta é a rejeição total ao bebê, sentindo-se completamente aterrorizada e ameaçada por ele, como se fosse um inimigo em potencial.

A mulher sente-se, então, apática, abandona os próprios hábitos de higiene e cuidados pessoais. Pode sofrer de insônia, inapetência, apresenta idéias de perseguição, como se alguém viesse roubar-lhe o bebê ou fazer-lhe algum mal. Se a puérpera estiver neste quadro de profunda depressão, sem poder oferecer a seu filho o acolhimento necessário, este também entrará em depressão. As características apresentadas são: falta de brilho no olhar, dificuldade de sorrir, diminuição do apetite, vômito, diarréia e dificuldade em manifestar interesse pelo que quer que esteja ao seu redor. Conseqüentemente, haverá uma tendência maior em adoecer ou apresentar problemas na pele, mesmo que esteja sendo cuidado.

Se há bloqueio materno em manifestar amor pelo filho, alguém deve assumir a tarefa de maternagem em que o bebê possa sentir-se amado e acolhido, pois sem amor não desenvolverá a capacidade de confiar em suas próprias possibilidades de desenvolvimento físico e emocional.

Neste caso, o psiquiatra deve ser consultado urgentemente e, simultaneamente ao apoio farmacológico, será aconselhada a psicoterapia.

Assim, o ambiente imediato deve estar atento à intensidade da depressão apresentada pela puérpera, no sentido de que se não puder proporcionar a segurança e a paz que ela necessita, possa pelo menos aconselhá-la a procurar ajuda profissional neste momento de crise.

De qualquer maneira, em quaisquer desses estados apresentados, é comum e esperado, na puérpera, a ocorrência de idéias depressivas e persecutórias, o retraimento e o abandono ou a hiperatividade, sem chegar ao nível alarmante da psicose puerperal. O próprio estado regressivo em que se encontra contribui para o surgimento de tais sintomas.

Assim, se a família e os amigos colaborarem de modo satisfatório, proporcionando confiança e segurança à puérpera, principalmente no tocante às atividades maternas, sem críticas e hostilidades, mas com compreensão e carinho, acolhendo-a nos momentos de maior fragilidade emocional, a depressão pós-parto vai diminuindo de intensidade até se transformar em carinho pelo bebê e respeito pelo ritmo de seu desenvolvimento e progresso.

Até alguns anos atrás, quando as famílias eram mais numerosas, era comum o filho mais velho cuidar do mais novo e, desta forma, quando tinham seus próprios filhos, sentiam-se mais capacitados e seguros em assumi-los. Hoje em dia, é mais difícil passar por esta experiência, já que todos na família saem para trabalhar muito cedo e o número de filhos ter diminuído consideravelmente. Para suprir tal carência de aprendizagem, algumas maternidades estão implementando o sistema de alojamento conjunto, para que possa proporcionar à gestante a experiência real e supervisionada com seu bebê, o que facilitará a formação do vínculo precoce entre eles.

A Psicologia da Gestante surgiu, então, com o propósito de fornecer não apenas informações cognitivas mas, principalmente, permitir que a gestante possa expressar livremente seus temores e ansiedades, a fim de ter assistência e orientação psicológica para enfrentar as diversas situações de maneira mais adaptativa, realista e confiante. Trata-se de um trabalho preventivo, se tiver início junto com o acompanhamento médico pré-natal e/ou de suporte ante a crise, no caso da depressão pós-parto já instalada.

PAI

Paternidade

Muitas gestantes ainda se referem à gravidez com exclusividade, utilizando-se de expressões que, consciente e inconscientemente, transmitem a mensagem que são questões puramente femininas, como se o homem fosse apenas continente de suas angústias e ansiedades e, paradoxalmente, ressentem-se pela indiferença de seus parceiros.

Tais atitudes refletem posturas ancestrais quando, de fato, o homem era excluído da relação e sua participação terminasse no momento em que o bebê era concebido.

Felizmente os tempos mudaram, e o que vemos atualmente é que cada vez mais aumenta o número de homens que desejam participar ativamente do processo da paternidade, constituindo-se num elemento-chave indispensável da equação pré-natal. Assim, não se considera apenas a mulher grávida, mas o casal grávido.

Durante os meses de gestação, o feto ouve a voz paterna e percebe a influência que exerce em sua mãe, através dos batimentos cardíacos, produção hormonal e corrente sangüínea. Tudo quanto afeta positiva e negativamente sua mãe, afeta-o também e as questões conjugais entram em jogo com um grande peso, já que são as que mais atingem emocionalmente a gestante.

A voz paterna é tão importante para a criança que se o pai se comunicar com ela ainda in útero, a criança é capaz de reconhecê-la e de reagir, logo ao nascer. Assim, se por qualquer obstáculo mãe e bebê são separados após o nascimento, e se a mãe estiver impossibilitada de acompanhar sua recuperação, o pai deve assumir e estabelecer contato com ele para que não perca seus referenciais intra-uterinos, podendo sentir-se novamente em segurança.

É' verdade que fisiologicamente o homem está em desvantagem, já que quem gesta o bebê é a mulher, porém, se ela puder ajudá-lo e conseguir introduzi-lo nesta relação tão íntima, fazendo-lhe um lugar, este pai poderá assumir a função que lhe é de direito e de amor e o vínculo paterno-filial irá se fortalecendo com o passar do tempo, aumentando seu envolvimento e prazer em acompanhar o desenvolvimento da gestação.

No exato instante em que a mulher anuncia ao homem que está grávida, implicitamente anuncia o nome de família que esta criança terá. O impacto da notícia depende da história do casal e do tipo de relação que une o homem e a mulher, que pode ter vários efeitos, desde uma felicidade extrema e compartilhada, até separações, afastamentos e conflitos.

O modo como o homem vivencia a gravidez é diferente da mulher. Mesmo as emoções, apesar de as mesmas, também são vivenciadas diferentemente. E é por isso que as gestantes não compreendem e até se ressentem quando seus parceiros não se manifestam com a intensidade esperada, inclusive quando a gravidez foi planejada e desejada por eles.

Em primeiro lugar, porque desejar um filho é completamente diferente de se projetar como pai. E isto é válido também para a mulher. Enquanto o desejo de um filho situa-se no plano da fantasia, onde todas as expectativas são idealizadas, projetar-se como pai remete-o à realidade das responsabilidades que deverão ser assumidas e pelas quais também se percebe inseguro e despreparado.

Em segundo lugar, porque também se encontra em estado regressivo, quando os conflitos infantis, conscientes e inconscientes, são reatualizados, principalmente no tocante à relação com os pais de origem, em especial, com a figura paterna.

Embora o homem e a mulher contribuam igualmente para a concepção do filho, é a mulher que vai vivenciar as transformações físicas e sentir o bebê crescer dentro de seu corpo. Isto causa muita inveja e ciúme no homem por não poder participar diretamente da díade mãe-bebê, o que pode levá-lo a sentir-se excluído da relação.

Para se fazer um lugar, produzem-se os sintomas que são expressões inconscientes desse desejo. Aparecem, então, sensações semelhantes às da mulher, como aumento de apetite, problemas digestivos, intestinais, aumento de sono... Muitas vezes procura inteirar-se de todas as informações possíveis sobre a gravidez, parto e puerpério, como também de captar a cada instante os movimentos fetais, colocando a mão no ventre da parceira.

Outros homens excluem-se da relação, como se não pudessem ou devessem ter acesso à gravidez. Culturalmente, ainda se lhes encontra enraizado que a demonstração de ternura e os cuidados para com um bebê vão contra o conceito de masculinidade.

Outros, ainda, sentem-se incompreendidos e desamparados em suas angústias e ansiedades, pois também se percebem fragilizados, cheios de dúvidas e com medodo futuro e, sem ninguém para ouvi-los, uma vez que o ambiente mais próximopermanece voltado apenas para a gestante, saem em busca de amigos, ficandocada vez mais afastados do ambiente doméstico, e o que é pior : sofrendo sozinhos.

Mas a psicologia pré-natal, com seus estudos cada vez mais avançados, tem demonstrado claramente a importância para o feto do contato precoce com a figura paterna. Quanto mais cedo o vínculo é formado, tanto pelo contato físico no ventre da mulher quanto pela emissão de palavras, maiores benefícios emocionais trarão após o nascimento, pois o bebê necessita tanto dos cuidados maternos quanto dos paternos, visto ser receptivo e sensível a estes, principalmente se tiveram início na vida intra-uterina.

Como a criança já guarda lembranças na vida pré-natal e é capaz de retê-las, a ligação profunda e intensa pai-feto é essencial para o continuum do vínculo pós-nascimento. Este pai, então, deixa de ser mero provedor para compartilhar dos cuidados básicos com o bebê, bem como de sua educação e desenvolvimento físico-emocional.

Mas os limites de cada um devem ser respeitados. Há pais que por não conseguirem experienciar a troca de fraldas, assumem outras tarefas como dar banho, alimentar, levar a passear. Sendo assim, podem revezar com a mulher, deixando de sobrecarregá-la e de se sobrecarregar, ficando ambos mais disponíveis emocionalmente para o bebê. Além do contato com ele, o homem também tem uma função importante como companheiro, pois transmitindo amor e segurança à mulher, colaborará para que ela acolha mais intensamente seu próprio filho.

Muitos homens se decepcionam com a parceira e vice-versa, por não corresponderem ao ideal de pais que construíram, o que pode gerar novos conflitos ou romper um equilíbrio que já era frágil. Se as expectativas forem irreais, há de se refletir para encontrar um meio de reassegurar o bom entendimento, através de muita compreensão e de ajudas mútuas para sobrepujar as dificuldades que porventura surjam.

O reatamento das relações sexuais também são fonte de grande angústia do homem, visto ainda estar em estado regressivo. O temor de machucar a mulher ressurge com a mesma intensidade que na adolescência, o que causa grande insegurança na parceira por perceber este distanciamento como uma rejeição a si mesma.

Alguns homens se afastam da mulher por estarem ainda ressentidos pelo abandono sofrido durante todo o processo da gestação, o que lhes causou sentimentos de intenso ciúme e rivalidade para com o filho, tal como ocorrem quando nasce um irmão.

Outros, ainda, por sua história pessoal, modelos parentais ou culturais, vêem em suas parceiras apenas a imagem materna, o que tornam as relações sexuais inviáveis. Para outros, ao contrário, a parceira fica ainda mais sedutora, pois foi quem gestou seu filho, prova viva de sua virilidade.

A presença ou não do homem na sala de parto, é outra questão que surge e que depende do desejo e disponibilidade do futuro papai. Há homens que não se sentem à vontade para assistir o parto, pois além de revivenciarem a reatualização da angústia do próprio nascimento, teriam que suportar a culpa e responsabilidade, que muitas vezes surgem, ao se depararem com o que a parceira está vivenciando fisicamente. Outros assumem a tarefa sem dificuldade, funcionando como suporte emocional da mulher e de acolhimento ao bebê nesta sua vinda ao mundo aéreo.

Mas o direito de estar presente na sala de parto, não deve transformar-se em obrigação. Deve ser negociado entre o casal e decidido de comum acordo, o que é melhor para cada um.

Assim como a puérpera, o homem também experiencia a depressão pós-parto, temendo não ser capaz de assumir a nova família, de ser bom pai e, principalmente, temendo perder o lugar que tem junto à companheira, pois sabe que seu filho irá exigir toda sua atenção e cuidados nos primeiros meses.

Mas, essencialmente, o baby blues tem origem no trauma da angústia de separação da mãe e que se funda na cesura do cordão umbilical, no momento do próprio nascimento, que é reatualizado com profunda e intensa ansiedade.

De qualquer maneira, homem nenhum passa imune ao processo de gestação e do nascimento de um filho. Com a evolução dos estudos sobre a relação paterno-filial, desde a vida intra-uterina, muitos homens estão se conscientizando e assumindo a paternidade de modo mais responsável, valorizando a importância de sua participação na vinda e na vida de seus filhos.

Com isto, homens e mulheres poderão estabelecer vínculos mais solidários e sólidos, independentemente da sitiuação do vínculo afetivo, o que certamente irá produzir gerações futuras de crianças emocionalmente mais ajustadas, estáveis, seguras e, portanto, muito mais felizes.

AR SECO

Ar Seco e Doenças Respiratórias

Nas últimas semanas, diversas regiões brasileiras estão em estado de alerta devido a baixa umidade relativa do ar.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a umidade relativa do ar na cidade de São Paulo pode chegar a 20% agora nos próximos dias. O Inmet também alerta outros oito Estados e o Distrito Federal para a possibilidade de baixa umidade relativa do ar. Os Estados são: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Piauí, Maranhão, Tocantins, Bahia e Minas Gerais.

Médica fazendo inalação no bebê

A umidade relativa do ar no Distrito Federal registrou índice de 10% dia 15 de agosto, momento em que a temperatura chegou a 26,6 ºC. A marca é recorde para o país e só havia sido registrada anteriormente, também no DF, em 2002 e 2004, segundo o Inmet.

Como dado de comparação, o deserto do Saara, na África, registra índices entre 10% e 15%.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera estado de atenção quando a taxa de umidade relativa do ar fica abaixo dos 30%. Abaixo dos 20% é considerado estado de alerta e abaixo dos 12%, estado de emergência. Com o tempo seco, a poluição aumenta favorecendo o surgimento de doenças respiratórias e cardiovasculares.

Nestas condições, é comum a ocorrência de complicações respiratórias devido ao ressecamento das mucosas, provocando sangramento pelo nariz, ressecamento da pele e irritação dos olhos.

Atenção especial deve ser dadas às crianças e idosos. O grupo também de maior risco é formado pelos portadores de doenças respiratórias crônicas e alérgicas pois o ar seco irrita a mucosa das vias respiratórias, isto é, nariz, seios da face, garganta e os pulmões, que acaba culminando com exacerbaçao do quadro alérgico (rinite e crise asmática) e infecções do trato respiratório como bronquites, otites, faringites, traqueites e até pneumonias que podem se tornar uma situação de risco, levando a internação e outras complicações.

Veja os cuidados com a saúde de acordo com a umidade, segundo a OMS:

Entre 20% e 30% – Estado de Atenção

  • Evitar exercícios físicos ao ar livre entre 11h e 15h
  • Umidificar o ambiente através de vaporizadores, toalhas molhadas, recipientes com água
  • Sempre que possível permanecer em locais protegidos do sol, em áreas vegetadas

  • Consumir água à vontade.

Entre 12% e 20% – Estado de Alerta


  • Observar as recomendações do estado de atenção

  • Suprimir exercícios físicos e trabalhos ao ar livre entre 10h e 16h
  • Evitar aglomerações em ambientes fechados

  • Usar soro fisiológico para olhos e narinas

Abaixo de 12% – Estado de emergência

  • Observar as recomendações para os estados de atenção e de alerta
  • Determinar a interrupção de qualquer atividade ao ar livre entre 10h e 16h como aulas de educação física, coleta de lixo, entrega de correspondência
  • Determinar a suspensão de atividades que exijam aglomerações de pessoas em recintos fechados como aulas e cinemas entre 10h e 16h
  • Durante as tardes, manter com umidade os ambientes internos, principalmente quarto de crianças.

Outros cuidados e atenção:

  • Mantenha ambientes limpos e sem poeira. Forrar travesseiros e colchões, usar edredons ao invés de cobertores, retirar tapetes ou objetos que acumulem pó como livros, revistas, brinquedos de pelúcia e caixas;
  • Previna-se de infecções (gripes, faringites, sinusites e pneumonia ocasionada pelo pneumococo) fazendo o uso das vacinas anti influenza (Vacina da gripe) e a Vacina anti pneumocócica (Heptavalente, decavalente e 13valente para crianças menores de 2 anos de idade e para as maiores de 2 anos de idade e adultos a Pneumo-23);
  • Embora os umidificadores possam ser úteis, eles podem provocar doenças se não forem mantidos limpos adequadamente ou se os níveis de umidade ficarem muito altos. Por isso monitore os níveis de umidade e mantenha o seu umidificador limpo – Filtros de umidificadores sujos podem produzir mofo (fungos) ou bactérias que podem deixá-lo doente;
  • Evitar exposição prolongada a ambientes com ar-condicionado, já que este ajuda a ressecar o ambiente.

VARIZES

Entenda as varizes

As varizes não apenas umas veias aparentes na pele, além do aspecto não agradável elas podem evoluir para quadros mais graves.

Varizes são veias dilatadas e deformadas que surgem ao longo das pernas e podem causar dor, inchaço e, em casos mais graves, úlceras na pele. As varizes podem aparecer em três estágios: pequenas linhas avermelhadas, veias mais grossas de cor azulada ou nódulos grossos que saltam do plano da pele.

Tratamento de varizes na perna com laser

O que acontece é que as artérias bombeiam o sangue do coração para irrigar as pernas, e essas por sua vez têm veias que possuem a função de mandar o sangue de volta ao coração. Nestas veias existem pequenas válvulas que se estreitam após a passagem do sangue, não deixando que ele retorne para os membros inferiores. Em algumas pessoas essas válvulas se afrouxam e aparecem as varizes. Os motivos mais comuns são sedentarismo, hereditariedade e uso de pílulas anticoncepcionais.

Nas gestantes, o índice de aparecimento de varizes também é alto. Isso acontece pois com o crescimento do feto o útero passa a comprimir as veias na região do abdômen. Além disso, os fatores da gravidez, como o aumento de sangue circulando no corpo, aumento da produção de progesterona e aumento do peso, fazem com que haja uma dilatação das veias das pernas, podendo gerar varizes novas ou aumentar as já existentes.

Para evitar que as varizes cresçam ou que apareçam, existem algumas dicas:

  • Faça exercícios físicos de baixo impacto, como caminhadas, hidroginástica, natação;
  • Não fique muito tempo parada na mesma posição, seja ela em pé ou sentada;
  • Se precisar ficar em pé durante longos períodos, tente caminhar ou abaixar e levantar os calcanhares;
  • Cuidado com o peso, pois engordar subitamente favorece o aparecimento de varizes;
  • Não fume, o cigarro piora qualquer doença vascular;
  • Sol em excesso faz mal para a pele e acentua varizes;
  • Sauna, hidromassagem e banhos muito quentes dilatam os vasos sanguíneos e, para quem tem varizes acentuadas, aquecer demais não é recomendado;
  • Descanse os pés para cima, na altura dos quadris, quando puder.

Além de todas essas dicas, massagens são altamente recomendáveis. A drenagem linfática trata muito bem das pernas, ativa a circulação e melhora a textura da pele.

O mais aconselhável para quem já tem varizes é procurar ajuda de um angiologista ou médico vascular. Ele vai estudar o caso da paciente e ver qual a melhor maneira para tratar as veias incômodas. Algumas das opções são cirurgia, laser e escleroterapia química (tratamento que aplica uma substância para secar a veia).

HORA DO TRONO

Hora de ir ao banheiro

A transição das fraldas para o banheiro deve ser feita com paciência e sem pressão.

Muitas mães se desesperam ao ver que seus filhos já grandinhos, às vezes com mais de três anos, ainda não conseguem fazer cocô no banheiro. Apesar de usarem o penico para o xixi, ainda pedem para colocar a fralda na hora do cocô ou acabam fazendo suas necessidades onde estiverem, sujando toda a roupa.

Bebê sentado no penico enquanto atualiza perfil no notebook :-)

A realidade é que a fase de transição da fralda para o vaso sanitário, ou mesmo para o penico, é muito delicada para a criança. Até o simples fato de sentar em um vaso sanitário grande e ficar inseguro de cair dentro do buraco atrapalha o aprendizado. Por isso, é necessário todo o tipo de cuidado na hora de ensinar o seu pequeno a deixar as fraldas.

“A partir dos dois anos e meio de idade é importante começar a explicar para as crianças o uso do penico e do vaso sanitário. Mostrar que todos que crescem fazem isso. E o mais importante é fazer tudo com muita paciência”, esclarece o psiquiatra Fábio Barbirato.

Portanto, não se preocupe se o seu filho tem mais de dois anos e ainda não usa o banheiro para fazer cocô. Cada criança tem o seu tempo para aprender a controlar essa necessidade fisiológica. “Controlar o esfíncter anal, que é o músculo que controla a abertura do ânus, é mais difícil do que controlar o esfíncter uretral, que controla a abertura da uretra. Por isso, as crianças têm mais facilidade em aprender a pedir o xixi do que o cocô”, explica Barbirato.

A criança está preparada para fazer suas necessidades no banheiro quando começa a avisar que fez xixi na fralda. Isso é sinal de que ela já percebe e controla o xixi. Assim que resolve tirar a fralda do filho, a mamãe tem que ter muita paciência e perguntar para a criança de duas em duas horas se ela gostaria de ir ao banheiro. Muitas vezes a criança reluta em parar a brincadeira para fazer xixi, mas é preciso insistir.

Em relação ao cocô, é importante que os pais percebam o horário que normalmente a criança tem vontade e levá-la no banheiro. Conte uma história, converse, tenha paciência, assim seu filho criará confiança e começará a pedir sozinho para ser levado ao banheiro.

Segundo o psiquiatra, não é necessário procurar ajuda profissional antes dos cinco anos de idade. A partir daí, é bom ficar de olho e fazer o acompanhamento com um especialista, pois o problema pode ser tanto físico quanto psicológico.

domingo, 21 de agosto de 2011

INSONIA DOS PEQUENOS

O QUE É INSÔNIA?

A insônia infantil pode manifestar-se como dificuldade de adormecer quando a criança é colocada na cama ou dificuldade de continuar dormindo durante a noite. Ao avaliar o padrão de sono do seu filho, os fatores mais importantes a considerar são a qualidade do seu sono - se ele dorme a noite toda ou se acorda várias vezes - seu nível de descanso e atividade durante o dia. A criança que sofre de insônia pode não ter energia suficiente para acordar pela manhã ou acompanhar os colegas durante o dia. Pode ter olheiras.
Os padrões de sono normais incluem uma alternância de ciclos de sono sem movimentos rápidos dos olhos (REM) e ciclos de sono commovimentos rápidos. É durante o ciclo REM, um sono mais leve, que sonhamos. Os recém-nascidos dormem em média 16 horas por dia, sendo que metade desse tempo é gasto com o sono REM, durante o qual eles bocejam, contorcem-se, fazem ruídos brandos e acordam facilmente. A criança de dois anos precisa de cerca de 12 a 14 horas de sono todos os dias, incluindo cochilos. À medida que a criança vai crescendo, passa menos tempo na fase mais leve, REM, do sono e mais tempo em sono mais profundo. Aproximadamente 30% do tempo de sono da criança pequena é gasto no sono REM. As crianças em idade escolar precisam cerca de 10 a 11 horas de sono por dia, para restabelecer a energia e a atividade de seu corpo. Os adolescentes, geralmente, querem afirmar sua independência e determinam seus próprios padrões de sono.
Quando a criança domina novas tarefas, passa por mudanças na sua vida e vai de um estágio de desenvolvimento a outro, a insônia é um problema temporário comum. A criança pequena que está aprendendo a dormir em um novo quarto, a criança que acabou de se mudar para uma casa nova ou o adolescente ansioso com relação a um evento iminente pode ter algumas noites de insônia.
Entretanto, se a insônia persistir e começar a interferir na capacidade do seu filho de realizar suas atividades durante o dia, consulte seu médico. A insônia pode estar relacionada à depressão ou ansiedade, um problema físico como infecção de ouvido crônica ou febre ou terrores noturnos. Os terrores noturnos são caracterizados por gritos, agitação, confusão, suor e respiração ofegante. Geralmente ocorrem algumas horas após a criança ter adormecido ou quando está saindo de um sono profundo, sem sonhos. Outro problema a considerar - se seu filho ronca sonoramente, fica excessivamente sonolento durante o dia e tem mau desempenho na escola - é a apnéia no sono, uma interrupção temporária da respiração durante o sono. Breves períodos de apnéia no sono são comuns entre os recém-nascidos e os bebês prematuros. As crianças obesas e as crianças com amígdalas aumentadas e amigdalite crônica também podem ter apnéia no sono, devido à obstrução da passagem do ar. Se suspeitar que seu filho tenha apnéia no sono, consulte seu médico.


TRATAMENTO CONVENCIONAL

A difenidramina, um anti-histamínico, é um dos indutores do sono mais benignos. Contudo, nunca dê à criança qualquer medicamento vendido sem receita médica para ajudá-la a dormir, sem antes consultar seu médico.
Os antidepressivos, como amitriptilina ou imipramina, são às vezes usados para problemas do sono, principalmente se o paciente estiver com depressão. Devem ser dados apenas quando receitados por um psiquiatra.
Os tranqüilizantes, como diazepam, são medicamentos vendidos com receita médica, poderosos e potencialmente viciantes. Não são recomendados, principalmente para crianças, exceto nas circunstâncias mais extremas.



DIRETRIZES ALIMENTARES

Evite dar ao seu filho qualquer estimulante, tais como alimentos e bebidas que contenham cafeína, açúcares refinados, ou chocolate, que podem deixá-lo acordado a noite toda.
Evite servir refeições pesadas tarde da noite.
Para manter um nível de açúcar uniforme no sangue durante a noite, dê ao seu filho um lanche leve, como cream crackers ou torradas, antes dele ir para a cama. Evite alimentos pesados, de difícil digestão.
Certifique-se de que seu filho coma alimentos que contenham o aminoácido triptofano, que ajuda a estabilizar os humores e a aliviar o estresse. É usado pelo cérebro para produzir serotonina, uma substância química que regulariza os mecanismos do sono normal. Dentre os alimentos ricos em triptofano encontram-se banana, queijo cottage, peixe, tâmara, leite, amendoim e peru. Comer carboidratos complexos como massa e arroz no jantar também é bom para induzir ao sono.


SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS

O levedo de cerveja é rico nas vitaminas B, bem como em outras vitaminas e minerais que ajudam a acalmar o sistema nervoso. Dê à criança com doze anos ou mais 1 colher de chá na hora de dormir.
Um suplemento de cálcio e magnésio ajudará a acalmar o sistema nervoso do seu filho. Esse suplemento é muito útil para a criança que tem insônia, acompanhada de cãibras nas pernas. Dê ao seu filho uma dose de um suplemento que contenha 250 miligramas de cálcio e 125 miligramas de magnésio pela manhã e depois novamente na hora de dormir, durante alguns meses.


TRATAMENTO FITOTERÁPICO

Para ajudar seu filho a relaxar antes de ir para a cama, dê-lhe uma xícara dechá de camomila, um relaxante fitoterápico, uma hora antes de dormir. Um chá de várias ervas também pode ser usado.
A passiflora é um relaxante brando, seguro para as crianças com mais de quatro anos. Dê ao seu filho uma xícara de chá de passiflora na hora de dormir.
A escutelária é um relaxante eficaz. Dê ao seu filho uma dose, em chá, tintura ou cápsula, uma hora antes de dormir.
Observação: Essa erva não deve ser dada a crianças com menos de seis anos.
A raiz de valeriana pode ser eficaz para crianças com doze anos ou mais. Dê ao seu filho uma dose, em cápsula, chá ou tintura, na hora de dormir.
Para as crianças mais velhas, você pode fazer um chá que combine quantidades iguais de valeriana, camomila, passiflora e escutelária e dar-lhes uma xícara na hora de dormir.
Em vez de dar ao seu filho sempre a mesma erva relaxante, é mais eficaz fazer um rodízio de ervas. Por exemplo, dê ao seu filho camomila durante várias noites, depois passiflora durante várias noites e assim por diante.


HOMEOPATIA

O remédio homeopático Carbo vegetalis é para a criança que acorda no meio da noite com dor no estômago. Dê a essa criança uma dose em Carbo vegetalis 9ch quando ela acordar no meio da noite.
Coffea cruda, ou café homeopático, alivia os sintomas semelhantes aos que os adultos sentem ao beber uma xícara de café. Esse remédio alivia de forma eficaz o nervosismo e a agitação mental e física que possam estar interferindo no sono. Por exemplo, na noite anterior a um grande acontecimento, como uma prova ou competição esportiva, a criança pode ficar deitada, sem sono, com grande atividade mental. Uma dose de Coffea cruda 6ch, administrada uma hora antes do jantar, e outra dose meia hora antes da hora de dormir, é útil para esse tipo de insônia.


RECOMENDAÇÕES GERAIS

Desacelere o metabolismo do seu filho e dê-lhe tempo para relaxar à noite. Um banho morno, uma massagem nas costas ou nos pés ajudará a criança a acalmar-se e a ficar confortável.
Dê ao seu filho um suplemento de cálcio e magnésio.
Dê ao seu filho uma xícara de chá de ervas antes de dormir.
Ensine às crianças mais velhas técnicas de relaxamento.
Para insônia ocasional, dê ao seu filho o remédio homeopático Coffea cruda.


PREVENÇÃO

Estipule um horário para dormir e obedeça-o. Comece mandando a criança para a cama na mesma hora sempre e acorde-a na mesma hora todos os dias.
Inicie um ritual simples e rotineiro para a hora de dormir, tal como contar uma história, conversar sobre os acontecimentos do dia ou fazer um exercício de visualização juntos. Um ciclo de sono regular e rituais familiares na hora de dormir têm como objetivo confortar, tranqüilizar e promover hábitos de sono saudáveis. Obedeça seu horário até mesmo nos fins de semana e feriados. Contudo, você deve ser flexível para adaptar-se ao horário, se ele não corresponder ao ciclo normal do seu filho. Algumas crianças são "cotovias", que acordam naturalmente cedo, ao passo que outras são "corujas", que preferem ficar acordadas até um pouco mais tarde.
No caso de crianças mais velhas, desestimule cochilos no final da tarde ou início da noite.
Incentive a discussão de qualquer experiência assustadora ou perturbadora que possa ter ocorrido durante o dia. Isso é importante, principalmente no caso de crianças altamente sensíveis e impressionáveis.
Para tranqüilizar a criança medrosa, deixe a porta aberta e uma pequena e reconfortante luzinha acessa durante a noite.
Incentive atividade física vigorosa pela manhã ou à tarde.
Evite programas televisivos assustadores ou histórias de terror antes de dormir.

SOLUÇO

O QUE É SOLUÇO?

O soluço é um espasmo repentino e involuntário do diafragma. É realmente inofensivo e a maioria desaparece espontaneamente em alguns minutos. Até mesmo os bebês no útero podem ter soluços. O soluço tem uma série de causas, inclusive indigestão e ingestão rápida de alimentos. Quando a criança come rapidamente, algumas vezes engole ar. Sem ter aonde ir, o ar engolido pode sair na forma de soluços. Seu filho pode achar o soluço bastante engraçado.


TRATAMENTO CONVENCIONAL

Em casos extremos e raros, pode ser necessário um sedativo. Do contrário, seu médico provavelmente dará sugestões semelhantes às relacionadas sob Recomendações Gerais, a seguir.



HOMEOPATIA

Siga os cinco passos para ajudar seu filho a se livrar dos soluços.

1. Comece com uma dose de Acônito 9ch ou 30ch. Aguarde cinco minutos.
2. Se os soluços ainda persistirem, dê uma dose de Arnica 9ch. Aguarde mais cinco minutos.
3. Se seu filho ainda estiver com soluços, experimente uma dose deIgnatia 9ch e espere cinco minutos.
4. Se seu filho ainda estiver com soluços, dê-lhe uma dose de Magnesia phosphorica 9ch. Espere cinco minutos.
5. Por fim, pode experimentar uma dose de Lycopodium 9ch. Esse remédio é útil principalmente se seu filho tiver um histórico de gases intestinais e soluços repetidos.

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RECOMENDAÇÕES GERAIS

Toda família tem uma forma predileta de se livrar dos soluços. Muitas observaram que as seguintes intervenções são úteis.

O bebê às vezes começa a ter soluços durante ou após a amamentação. Ajude seu bebê a livrar-se das bolhas de ar ao arrotar.
Faça com que seu filho beba lentamente vários copos de água fria.
Faça com que a criança mais velha respire fundo e prenda a respiração o máximo possível. (Apenas crianças mais velhas devem aprender essa técnica.)
Faça com que a criança mais velha respire em um saco de papel. (Novamente, apenas crianças mais velhas devem aprender essa técnica.)
Faça com que seu filho beba lentamente água fria enquanto prende a respiração.
Faça com que seu filho gargareje com água durante um ou dois minutos.
Dê ao seu filho um copo de água fria. Tampe os ouvidos do seu filho com os polegares. Pressione firmemente a ponto de bloquear seus ouvidos, mas não a ponto de machucá-lo. Enquanto os ouvidos dos seu filho estão bloqueados, faça com que ele beba lentamente a água enquanto prende a respiração.


PREVENÇÃO

Comer lentamente talvez seja a melhor forma de evitar soluços. Para evitar engolir ar, coma em um ritmo calmo e ensine seu filho a fazer o mesmo. Refeições tranqüilas em família devem ser atividades agradáveis.Quando as refeições são prazerosas, as crianças não ficam propensas a correr para acabar de comer e retornar a outras atividades.

ASSADURAS

O QUE É A ASSADURA?

A assadura ou Dermatite das Fraldas é uma inflamação cutânea causada por uma reação às fortes substâncias químicas e enzimas das fezes e da urina, aliada ao acúmulo de calor gerado por essas substâncias. A fralda faz com que essa mistura tóxica fique em contato com o bumbum de seu filho.
Se seu bebê tem uma assadura de contato - causada por uma reação a fezes, urina, sabonete, fralda descartável, calça plástica e/ou diarréia - a área ficará dolorida e sensível. A pele ficará vermelha e irritada. Talvez haja áreas inchadas e ulcerações superficiais. A pele poderá estar seca e descascar, com manchas descoloridas. Se seu filho tiver assadura por fungo - causada pela presença de Candida albicans no trato intestinal - a pele estará macia, brilhante e muito vermelha. As bordas das lesões e erupções estarão bem definidas e talvez haja pontos espalhados na área inguinal (virilha). Peça ao seu médico para diagnosticar a erupção, para que você possa tratar o problema corretamente.
A assadura é comum. Embora possa ocorrer em qualquer época que seu filho esteja usando fraldas, a idade mais propícia à assadura é em torno dos primeiros nove meses. Certos fatores aumentam o risco de assadura. Antibióticos, desidratação e diarréia, por exemplo, tornam a pele mais vulnerável a assaduras. O uso de fraldas descartáveis, além de contribuir para o problema do lixo não-degradável, também aumentou a incidência de assaduras. As crianças que usam fraldas descartáveis são mais propensas a assaduras do que as que usam fraldas de pano.


TRATAMENTO CONVENCIONAL

Se forem tomados cuidados criteriosos com a pele, a assadura deve melhorar em dois ou três dias e passar por completo em mais alguns dias.

Aplique pomada de óxido de zinco na área afetada a cada troca de fraldas para ajudar a secar a área e debelar a erupção. Ao formar uma barreira entre a pele do bebê e as substâncias químicas ácidas da urina e das fezes, a pomada funciona como uma camada protetora.
Se a assadura de seu filho for causada por uma infecção por fungo (Candida albicans), pode ser usado topicamente um antimicótico, como nistatina, niconazol ou clotrimazol.
No caso de infecções crônicas por fungo, pode ser receitado um antimicótico oral, normalmente nistatina, para diminuir a quantidade de fungo no trato digestivo.
Em casos de assaduras persistentes e difíceis, um corticosteróide de uso tópico, como hidrocortisona ou triancinolona, talvez seja necessário para promover a recuperação e reduzir a inflamação. Contudo, os corticosteróides nunca devem ser usados mais de duas ou três semanas, pois podem causar atrofia cutânea.


DIRETRIZES ALIMENTARES

Garanta que seu filho esteja bebendo bastante água. Ajuda a diluir os ácidos irritantes na urina e nas fezes.
A lactante deve eliminar possíveis alimentos alergênicos de sua dieta. Dentre os possíveis agressores encontram-se frutas e sucos cítricos, laticínios, quantidades excessivas de fermentos, açúcar e cafeína. Beba muita água mineral para diluir qualquer substância nociva que possa estar sendo transferida para o bebê através do leite materno.
A assadura pode estar relacionada à introdução de novos alimentos, principalmente alimentos que fazem com que as fezes tornem-se mais ácidas e irritantes à pele do seu bebê. Alguns especialistas pensam que um novo alimento, causador de uma reação, deve ser eliminado para sempre da dieta. Outros crêem que o novo alimento é de difícil digestão apenas porque o organismo não está familiarizado com ele e que, após o corpo do seu filho ter se adaptado, a reação não ocorrerá mais. Uma regra útil que alia essas duas perspectivas é observar seu filho atentamente. Se aparecer uma erupção sempre que for dado um determinado alimento, elimine temporariamente esse alimento. Poderá reintroduzi-lo quando seu filho estiver um pouco mais velho.
Se crê que a assadura do seu filho possa estar relacionada a uma alergia alimentar, talvez queira experimentar uma dieta de eliminação. No entanto, leva tempo para descobrir alergias alimentares dessa forma. No caso de assaduras, use primeiramente medidas tópicas e preventivas.


SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS

Os suplementos de lactobacilos são importantes para o bebê ou lactante com Candida. Essa infecção comum por fungo cede com Lactobacillus acidophilus ou bifidus. A lactante pode tomar uma dose regular para adultos, conforme indicado no rótulo do produto. O bebê que toma mamadeira pode tomar 1/8 a ¼ de colher de chá diariamente, no leite, durante duas a três semanas ou até mesmo durante mais tempo, em casos crônicos.
Se a erupção estiver extremamente seca, abra uma cápsula de vitamina E (óleo) e esfregue-a na pele a cada troca de fralda.


TRATAMENTO FITOTERÁPICO

A água morna aumenta a circulação e promove a cura. Um banho de banheira ou de assento ajudará a fazer com que seu filho se sinta melhor. Para acalmar ainda mais a pele, coloque calêndula ou camomila na água.
Se a erupção estiver vermelha e irritada, aplique loção, gel ou creme de calêndula a cada troca de fraldas. É calmante e promove a cura.
Aplique óleo ou loção de prímula, um antiinflamatório natural, a cada troca de fraldas, até que a assadura desapareça.
Se a assadura estiver úmida, espalhe levemente caolim na área afetada.


HOMEOPATIA

Se a assadura do seu bebê estiver muito vermelha, irritada e dolorida, dê-lhe uma dose de Súlfur 9ch, duas vezes ao dia, até que a vermelhidão comece a desaparecer. Contudo, não lhe dê esse remédio durante mais de três dias.
Para casos de assadura persistentes, uma dose de Thuya 9ch, duas vezes ao dia, durante dois dias, será útil.
Se nenhum dos remédios citados anteriormente parecer adequado ao seu filho, um composto homeopático para assadura talvez possa ser útil.


RECOMENDAÇÕES GERAIS

Ar e luz do sol são úteis tanto para prevenir quanto para curar assaduras. Deixe seu filho sem fralda sempre que puder. A criança cujo bumbum recebe ventilação adequada sarará mais rapidamente e terá menos assadura do que a criança que fica coberta de roupas a maior parte do tempo. Nas culturas tropicais, onde as crianças usam menos roupa, a assadura praticamente inexiste.
Quando houver necessidade de fralda, uma fralda de pano frouxa, presa com um alfinete, permitirá a circulação de ar e oferecerá proteção contra acidentes.
Use fraldas de pano, que não irritem, em vez de fraldas descartáveis. Troque as fraldas de seu bebê logo que ele sujar.
Evite usar lenços umedecidos comerciais em seu bebê. Muitos contêm fortes substâncias químicas que podem ser irritantes. Use lenços umedecidos basicamente com hamamélis ou calêndula, ambas seguras e suaves à pele delicada do bebê.
Limpe delicadamente a pele do seu bebê a cada troca de fralda, usando um sabonete neutro e friccionando suavemente. Limpe bem cada dobrinha, enxágüe e seque. Evite usar detergentes adstringentes e esfregar vigorosamente, o que pode piorar a assadura.
Após a limpeza, use uma esponja para passar, na área da fralda, uma mistura de 1 colher de sopa de bicarbonato de sódio dissolvida em 120 mililitros de água mineral. A alcalinidade do bicarbonato de sódio equilibra a acidez da urina e das fezes. Faça uma nova mistura a cada dois dias e deixe-a no trocador.
Se o bumbum do seu bebê estiver vermelho e irritado, aplique loção ou pomada de calêndula e depois polvilhe caolim ou amido de milho.
Se a assadura estiver muito seca, aplique vitamina E (óleo) ou loção de prímula.
Dê ao seu bebê Thuya ou Sulfur.
Dê ao seu bebê um suplemento de Lactobacillus acidophilus ou Lactobacillus bifidus.


PREVENÇÃO

Exponha o bumbum do seu bebê ao ar fresco e à luz do sol sempre que possível.
Use fraldas de pano, que não irritam e são arejadas, e prenda-as com alfinete sem apertá-las, para que o ar possa penetrar na pele. Troque a fralda do seu bebê pelo menos oito vezes por dia.
Use um sabão neutro quando lavar as fraldas do seu bebê e enxágüe as fraldas muito bem. Se estiver usando fraldas descartáveis por considerar inconveniente lavar uma grande quantidade de fraldas, considere um serviço de fornecimento de fraldas de pano. Esse tipo de serviço está em voga e compensa o investimento. Na verdade, pode ser mais barato usar um serviço de fornecimento de fraldas, do que comprar fraldas descartáveis.
Prepare uma mistura de bicarbonato de sódio e use-a na área da fralda.
A cada troca de fraldas, esfregue loção ou creme de calêndula ou vitamina E na pele do seu bebê.


QUANDO CONSULTAR O MÉDICO SOBRE ASSADURA

Como em qualquer irritação cutânea, é possível que a assadura fique infectada. Ao trocar a fralda do seu bebê, procure sinais de maior vermelhidão, inchaço, sensibilidade e secreções. Se perceber qualquer um desses sintomas ou se seu filho tiver febre, demonstrar irritabilidade ou perder o apetite, chame seu médico. Podem ser sinais de uma infecção que talvez precise ser tratada com um antibiótico.

DIARREIA NOS BEBES

O QUE É A DIARRÉIA?

A diarréia, ou fezes freqüentes e líquidas, é a forma do corpo se livrar de toxinas e sustâncias estranhas. A maioria dos casos de diarréia simples não devem ser controlados muito rapidamente. Talvez seja mais saudável deixar que o corpo do seu filho se desintoxique, sem deixar de fornecer-lhe a quantidade adequada de líquidos.
Há muitos microorganismos que podem causar diarréia, inclusive vírus, bactérias, fungos e protozoários. Seu filho pode contrair vírus, bactérias ou protozoários de outras crianças ou de água e alimentos contaminados. A intoxicação alimentar provoca diarréia rapidamente. Uma alergia ao leite ou sensibilidade alimentar, que pode aparecer com a introdução de novos alimentos, também pode causar diarréia.
As causas menos comuns da diarréia são reações a medicamentos, inflamação intestinal, hepatite, fibrose cística e pancreatite. Uma deformidade anatômica, como uma fístula, ou um defeito congênito, como a doença de Hirschsprung ou a síndrome do intestino curto, também podem causar diarréia. Se a diarréia do seu filho for decorrente de qualquer um desses problemas, ele precisará de cuidado médico.
A maioria dos casos de diarréia simples é causada por vírus. Os vírus invadem o trato intestinal da criança, causando irritação e inflamação das paredes intestinais. Os vírus também induzem as células que revestem os intestinos a secretarem líquidos. O aumento do volume de líquido, por sua vez, aumenta a peristalse, contrações "em ondas" dos intestinos. O resultado é cólica e fezes soltas, líquidas e freqüentes, características da diarréia.
O vômito e a dor de barriga muitas vezes acompanham a diarréia e as cólicas abdominais geralmente vêm e vão, ocorrendo muitas vezes antes da evacuação. Dependendo da causa da diarréia, pode haver ou não febre. Quando a criança está com diarréia, a desidratação é sempre uma preocupação séria, principalmente se a temperatura ambiente estiver elevada. Nos primeiros dois ou três meses de vida, a criança pode ficar desidratada rapidamente; portanto, se seu recém-nascido tiver diarréia, ligue para seu médico.
Observe seu filho entre os episódios de diarréia para ter uma idéia do seu estado. Se ele estiver alerta e não tiver cólica entre os episódios, pode partir tranqüilamente do princípio de que seu corpo tem a situação sob controle. Mas se seu filho parecer fraco e a cólica não desaparecer entre os episódios, ligue para seu médico.


TRATAMENTO CONVENCIONAL

Para evitar desidratação, fórmulas orais com eletrólitos são normalmente recomendadas para crianças com diarréia.
A loperamida é o antidiarréico mais usado e atualmente pode ser comprado sem receita médica. Desacelera o movimento dos músculos intestinais.
Observação: Não dê loperamida ao seu filho se ele tiver febre superior a 38 graus ou sangue nas fezes. Essa droga não é recomendada para crianças com menos de doze anos.
O caolim-pectina, uma droga vendida sem receita médica faz com que substâncias nos intestinos se liguem ao excesso de água, conseqüentemente solidificando e secando as fezes diarréicas. Isso faz parecer que seu filho está tendo menos diarréia e fezes mais consistentes; porém, na verdade, ainda está perdendo a mesma quantidade de água que perderia se não estivesse sendo tratado. O quadro é diferente. Os medicamentos com caolim dão uma falsa idéia de tranqüilidade. Não devem ser usados sem indicação do seu médico.
Os antibióticos podem ser úteis, mas apenas se a diarréia do seu filho foi causada por um parasita ou uma infecção bacteriana. Devem ser receitados apenas após um exame de fezes ou cultura que confirme a presença de parasitas ou bactérias.
Os antidiarréicos que contêm opiáceos não são recomendados para crianças. Como a loperamida, essas drogas desaceleram a ação intestinal e cessam a motilidade intestinal. Mas são drogas poderosas, que contêm narcóticos, e não são necessariamente seguras.


DIRETRIZES ALIMENTARES

Sua principal preocupação ao cuidar de uma criança com diarréia é evitar a desidratação. Durante a fase aguda da diarréia, quando as fezes são freqüentes e líquidas, garanta que seu filho esteja tomando bastante líquido. Dê-lhe goles pequenos e freqüentes de água. Para evitar o vômito, não lhe dê um copo grande de água de uma só vez.
A fim de que o intestino tenha um tempo para acomodar-se e curar-se, evite dar ao seu filho laticínios durante um episódio de diarréia e nas duas semanas subseqüentes ao desaparecimento da diarréia.
Se estiver amamentado seu filho, continue. O leite materno não ocasiona nem exacerba a diarréia. Na verdade, uma dieta que compreenda apenas leite materno e água, muitas vezes, pode ajudar a resolvê-la. A lactante também pode tentar incluir na sua dieta um suplemento de Lactobacillus acidophilus ou bifidus ou tomar uma dose de Arsenicum album 200d.
As crianças geralmente não querem comer muito quando estão com diarréia aguda. Ofereça líquidos claros, como caldo de galinha, suco de maçã diluído e chá de ervas. Evite encher o estômago do seu filho, para que seu estômago e seus intestinos tenham tempo para descansar e recuperar-se. Não espere que se recupere da noite para o dia.
Quando seu filho começar a se sentir melhor, ofereça-lhe uma dieta simples para que o trato digestivo possa processar e absorver os nutrientes com facilidade. Escolha alimentos familiares, facilmente digeridos e absorvidos, como papa de arroz, banana, cereais secos, cream crackers, torrada, purê de batata (sem manteiga), legumes bem cozidos e grãos.
Elimine alimentos de difícil digestão. As proteínas devem ser evitadas durante cerca de 48 horas. As gorduras devem ser eliminadas da dieta durante qualquer enfermidade. São difíceis de digerir até mesmo quando o corpo está saudável, e o trato intestinal debilitado dificulta ainda mais a digestão. As gorduras não-digeridas contribuem à toxicidade do ambiente interno.
Elimine açúcares refinados, principalmente se a dieta do seu filho for de origem bacteriana. As bactérias se proliferam em presença de açúcar. O açúcar também aumenta a acidez do corpo. Um ambiente interno excessivamente ácido retarda a recuperação.


SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS

Os Lactobacillus acidophilus e bifidus recuperam a flora intestinal saudável e são úteis para resolver a diarréia. Dê à criança com diarréia uma cápsula de lactobacilos, duas vezes ao dia, durante cinco dias.


TRATAMENTO FITOTERÁPICO

O pó de casca de olmo é curativo e reconfortante aos intestinos. O olmo quase não tem sabor. Transforme o pó em uma pasta, misturando-o a um pouco de água, suco de maçã ou purê de maçã. Dê à criança entre três e seis anos 1 colher de chá, uma vez ao dia; à criança entre sete e doze anos, 1 colher de chá, duas a três vezes ao dia.
A hidraste ajuda a controlar a diarréia causada por uma infecção bacteriana. Dê à criança entre três e seis anos 3 gotas, três vezes ao dia, durante dois dias. Dê à criança entre sete e doze anos 10 gotas, três vezes ao dia, durante dois dias.
Curing Pills, uma fórmula fitoterápica chinesa, ajuda a resolver uma série de problemas digestivos, inclusive diarréia. A criança entre três e seis anos deve tomar ¼ do tubo ou 1/3 do tubo ou 1 conta-gotas, três vezes ao dia.
Um creme feito de raiz de kuzu e pasta de ameixa umeboshi é útil para acalmar problemas intestinais.


HOMEOPATIA

Com base na lista a seguir, selecione um remédio específico para os sintomas do seu filho. O remédio certo deve agir 48 horas. A menos que indicado de outra forma, dê ao seu filho uma dose, três ou quatro vezes ao dia, até que os sintomas cedam. Se seu filho não apresentar qualquer melhora em 48 horas, experimente outro remédio.

Se seu filho tiver diarréia após ingerir muito açúcar, dê-lhe Argentum nitricum 9ch.
Arsenicum album 9ch ajuda a resolver a diarréia relacionada a intoxicação alimentar, ansiedade ou estresse. Esse remédio é geralmente necessário durante um ou dois dias.
Se seu filho tiver diarréia após ingerir laticínios, ou estiver na fase de dentição com diarréia, dê-lhe Calcarea carbonica 9ch.
Se seu filho tiver gases abdominais e diarréia após comer muita fruta, dê-lheChina 9ch.
Colocynthis 6ch é muito eficaz contra a cólica abdominal que muitas vezes acompanha a diarréia.
Magnesia phosphorica 6ch ajuda a relaxar os intestinos e a minimizar a cólica.
Para qualquer tipo de dor abdominal, é excelente intercalar Colocynthis com Magnesia phosphorica. Talvez não seja necessário dar esses remédios durante mais de 24 horas.
Se seu filho tiver fezes esverdeadas, líquidas e mal-cheirosas, useMercurius solubilis 9ch.
Se seu filho tiver tendência a apresentar diarréia recorrente e desejar sal, dê-lhe Natrum muriaticum 9ch.
Se seu filho tiver diarréia após ingerir comidas gordurosas, dê-lhe Pulsatilla9ch.
Se nenhum dos remédios anteriores parecer adequado ao seu filho, um composto homeopático para diarréia talvez seja útil.


RECOMENDAÇÕES GERAIS

Certifique-se de que seu filho esteja tomando a quantidade adequada de líquidos. Quando um corpo pequeno perde líquido com a rapidez que perde quando está com diarréia, a desidratação é uma preocupação muito séria. Se estiver intranqüilo quanto à melhora do seu filho, não hesite em consultar seu médico.
Se seu filho tiver episódios repetidos de diarréia, descanse o trato gastrointestinal ao máximo. Para evitar desidratação, dê-lhe goles pequenos e freqüentes de água, sopas ou sucos de frutas diluídos.
Faça uma água de arroz ou cevada. Ferva ½ xícara de arroz integral ou cevada em 1 litro de água mineral. Depois que o arroz ou a cevada estiver cozido, peneire e faça com que seu filho tome pequenos goles. Esse caldo nutritivo é amplamente usado no mundo todo.
Se seu filho estiver vomitando, além de ter diarréia, até mesmo um pequeno gole de água pode causar uma outra indisposição. Se o vômito ocorrer após a criança beber água, espere uma hora e ofereça-lhe pequenas raspas de gelo. Se o reflexo de vômito não for acionado pelo gelo, após uma hora de calma, ofereça-lhe mais raspas de gelo ou pequenos goles de água.
Não ofereça ao seu filho comida até que ele demonstre estar pronto para comer. Se seu filho estiver com fome, dê-lhe apenas alimentos simples e facilmente digeridos.
Dê ao seu filho pasta de olmo ou creme de ameixa umeboshi e raiz de kuzu.
Dê ao seu filho um suplemento de Lactobacillus acidophilus ou bifidus.
Selecione e administre um remédio homeopático adequado.


PREVENÇÃO

Para evitar que bactérias e substâncias estranhas invadam o organismo do seu filho, ensine-o a lavar as mãos adequadamente após ir ao banheiro e antes de comer.
Procure eliminar qualquer alergia ou sensibilidade alimentar que possa causar a diarréia. Dentre os alérgenos comuns encontram-se frutas cítricas, trigo, açúcar e laticínios.
Se seu filho tiver acessos repetidos de diarréia, pode ter intolerância à lactose. A absorção da lactose, ou açúcar do leite, depende da presença da enzima lactase. A maioria dos bebês tem quantidades adequadas dessa enzima, mas as crianças mais velhas e os adultos muitas vezes não produzem o suficiente para processar a lactose. Como resultado, sofrem de diarréia, gases, leve dor de cabeça e indigestão. Cerca de 33 milhões de norte-americanos têm intolerância à lactose. O tratamento mais eficaz para esse problema é limitar o consumo de leite e laticínios, bem como produtos alimentícios processados que contenham lactose.


QUANDO CONSULTAR O MÉDICO SOBRE A DIARRÉIA?

Nos recém-nascidos, a diarréia é assinalada por um aumento nas fezes, fezes anormalmente soltas ou líquidas, fezes amareladas ou esverdeadas ou fezes com mau cheiro. Consulte sempre seu médico quando o recém-nascido tiver diarréia.
Se seu filho tiver dor de barriga forte ou persistente com diarréia ou apresentar sangue nas fezes, ligue para seu médico imediatamente.
Se seu filho tiver um caso de diarréia que dure mais de 48 horas ou diarréia intermitente que vem e vai em um período de duas semanas ou mais, consulte seu médico.
O vômito que acompanha os distúrbios gastrointestinais não deve durar mais de 24 horas. Ligue para seu médico se seu filho tiver diarréia com vômito durante mais de 24 horas.


CONSTIPAÇAO

O QUE É CONSTIPAÇÃO?

O termo constipação refere-se a uma mudança nos hábitos intestinais diários, principalmente uma diminuição do número ou consistência da motilidade intestinal ou dor ou dificuldade ao evacuar. No final do primeiro ano de vida, a maioria das crianças evacua confortavelmente uma vez por dia. Se a criança que evacua normal e regularmente fica um ou dois dias sem evacuar, e sente dor ou dificuldade em defecar fezes volumosas e duras, está constipada.
A constipação é normalmente causada por uma quantidade insuficiente de líquidos e fibras na dieta. Sem a quantidade suficiente de líquidos as fezes ficam endurecidas e com as extremidades ásperas. Essas extremidades ásperas podem causar fissura retal, um corte microscópico e doloroso no reto. Preocupação excessiva em ensinar o bebê a usar o "troninho", estresse emocional (como a mudança para uma nova casa), introdução de novos alimentos ou muita gordura na dieta também podem contribuir para a ocorrência de constipação, assim como a falta de exercício adequado.
As crianças também podem ficar constipadas como resultado de prender as fezes. Uma criança ativa talvez não queira perder tempo e interromper a brincadeira para ir ao banheiro. Quando isso acontece, as fezes retidas tornam-se desidratadas e duras, e a evacuação, dolorida. A evacuação dolorida, por sua vez, faz com que a criança queira adiar ao máximo a próxima ida ao banheiro, para evitar a dor.
Até mesmo os bebês aprendem a reter as fezes para evitar a dor. Uma assadura que provoque dor e ardência durante a evacuação pode fazer com que o bebê relute em evacuar.
O fator mais importante para determinar se seu filho está constipado é seu nível de conforto quando evacua. Mesmo que seu filho vá ao banheiro todos os dias, fezes difíceis de evacuar podem indicar constipação. Outro indício é dor de barriga. A barriga da criança constipada pode ficar dura e sensível ao toque.


TRATAMENTO CONVENCIONAL

Aumentar a quantidade de fibras e líquidos na dieta do seu filho é a melhor maneira de começar a tratar da constipação.
Um amolecedor de fezes, como ducosato de sódio, pode ser receitado para amolecer as fezes e ajudá-las a passar pelos intestinos mais facilmente.
Um laxante aumenta a quantidade de bolo fecal nos intestinos, amolece as fezes, facilitando a evacuação, e inicia a peristalse (a contração dos intestinos que movimenta as fezes). Qualquer um desses produtos deve ser tomado com muita água.
Hidróxido de magnésio (encontrado no leite de magnésia) é uma laxante formador de bolo fecal que leva os líquidos do corpo para os intestinos, aumentando o conteúdo dos intestinos e, conseqüentemente, iniciando a motilidade intestinal. O hidróxido de magnésio não deve ser dado a criança com menos de dois anos. Nenhum laxante deve ser usado de forma regular. Não dê ao seu filho nenhum medicamento sem antes conversar com seu médico.
Os laxantes estimulantes, como bisacodil, óleo de rícino, fenolftaleína e extrato de folha de sena, irritam a parede intestinal, conseqüentemente estimulando a peristalse. Os laxantes estimulantes são adstringentes e podem provocar cólicas. Se usar esses medicamentos, faça-o com moderação. É preferível usar laxantes formadores de bolo fecal do que os estimulantes. Nenhum laxante deve ser usado de forma regular, pois pode causar dependência. Não dê ao seu filho qualquer medicamento sem antes conversar com seu médico.
Os lubrificantes, como a glicerina e o óleo mineral, revestem as fezes e ajudam a passagem pelo reto. Contudo, o uso prolongado do óleo mineral pode provocar inflamação do fígado, baço e nódulos linfáticos abdominais e interferir na absorção das vitaminas A e D. Da mesma forma, o lubrificante pode ser perigoso se descer, acidentalmente, pela traquéia e penetrar nos pulmões.


DIRETRIZES ALIMENTARES

Como a desidratação pode levar à constipação, aumente a quantidade de líquidos na dieta do seu filho. Tenha sempre água mineral, chás de ervas, sucos e sopas e incentive seu filho a tomá-los freqüentemente.
Aumente a quantidade de fibra na dieta do seu filho. Simplesmente comer um pedaço de fruta, como mamão, laranja ou ameixa, pode ajudar a resolver a constipação. A fruta integral fornece mais fibra. Sirva ao seu filho um pedaço de fruta de meia a uma hora antes da refeição ou cerca de uma hora após a refeição. Uma ameixa que ficou de molho da noite para o dia em um copo de água contém mais umidade e é mais fácil de digerir. Para bebês, talvez seja mais fácil ingerir uma colher de chá de xarope de uma ameixa que tenha ficado de molho ou tenha sido cozinha, para ajudar a resolver a constipação. As verduras e os cereais integrais também são fontes ricas de fibras.
Servir líquidos mornos ou cereais quentes como aveia todas as manhãs funciona como um estímulo suave ao trato intestinal, além de fornecer fibra.
Os alimentos ricos em magnésio, como verduras verde-escuro, são muito úteis para a criança constipada (o mais difícil é conseguir que seu filho os coma freqüentemente).
Para o alívio da constipação da noite para o dia, misture ½ xícara de suco de ameixa e 1 colher de sopa de suco de limão com 1 xícara de água mineral. Faça com que seu filho beba essa mistura antes de dormir. Contudo, essa mistura, é forte para bebês e pode causar diarréia em corpos pequeninos.


SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS

O lactobacillus acidophilus ou bifidus ajuda a criar uma flora intestinal favorável, o que é muito útil para aliviar a constipação. Para crianças com constipação crônica ou recorrente, os lactobacilos são altamente recomendados. Dê ao seu filho uma dose diariamente, conforme indicado no rótulo do produto.
Se as fezes do seu filho têm um cheiro excepcionalmente ruim, considere dar-lhe suplementos de clorofila. A clorofila é rica em oligoelementos, principalmente magnésio, e tem propriedades bactericidas naturais. Siga as orientações sobre dosagem indicadas no rótulo do produto.


TRATAMENTO FITOTERÁPICO

Se seu filho estiver alternando constipação e diarréia, aveia cozida em chá de linhaça pode ser muito útil. Acalma intestinos irritados e alivia a constipação. Prepare o chá de linhaça misturando 1 colher de chá de linhaça em 1 litro de água mineral; deixe cozinhar por quinze minutos. Use o líquido resultante, em vez de água, para cozinhar a aveia. Ou adicione ¼ a ½ xícara de chá a 120 mililitros de sucos e dê ao seu filho uma dose diariamente. A constipação deve ceder em 48 horas.
O chá ou a tintura de alcaçuz é calmante para paredes intestinais irritadas e ajuda a aliviar a constipação crônica. Dê ao seu filho uma dose, uma ou duas vezes ao dia, durante três ou quatro dias.
Observação: Essa erva não deve ser dada a crianças com pressão alta.
O suco de aloe vera é útil para resolver a constipação. Compre a forma comestível de aloe vera. Combine 1 colher de sopa do líquido com suco de fruta para torná-lo mais agradável e dê essa mistura ao seu filho uma ou duas vezes ao dia.
Uma a dez gotas de óleo de linhaça orgânica, administrado duas vezes ao dia na comida, pode ajudar a facilitar a motilidade intestinal do seu filho.

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HOMEOPATIA

Se seu filho tiver constipação crônica, talvez seja melhor tratá-lo com um remédio constitucional receitado por um homeopata. Para o problema de constipação ocasional, selecione da lista a seguir um remédio que corresponda aos sintomas do seu filho.

Use Alumina para a criança cujas fezes sejam bolas pequenas, duras e secas, muitas vezes cobertas de muco. A eliminação é muito difícil para essa criança. Dê-lhe uma dose de Alumina 9ch, duas ou três vezes ao dia, durante dois ou três dias.
Calcarea carbonica é muitas vezes usada para constipação em crianças pequenas com problemas digestivos. Se seu filho tiver constipação, com a barriga dura e distendida, mas não está irritado, chorando ou se queixando e parece estar se sentindo bem, dê-lhe uma dose de Calcarea carbonica 9ch, duas vezes ao dia, durante dois ou três dias.
Se seu filho tiver fezes duras e secas e estiver sentindo dor antes de ir ao banheiro, dê-lhe uma dose de Lycopodium 9ch, duas ou três vezes ao dia, durante dois ou três dias. Esse remédio também é recomendado para a criança com gases do intestino inferior cujo cheiro assemelha-se a ovo podre.
Natrum muriaticum é o remédio para a criança que adora sal - ela lambe o sal dos pratos e chupa o sal de biscoitos - e é magra, especialmente no pescoço. Essa criança tem normalmente sede, mas tem fezes duras e secas. Ela se beneficia de uma dose de Natrum muriaticum 9ch, duas vezes ao dia, durante dois ou três dias.
Nux vomica é útil para a criança que come demais e fica constipada ou com gases. Se seu filho estiver impaciente e agitado, desejar alimentos substanciosos, gordurosos e/ou condimentados e expelir fezes pequenas, escuras e duras após várias tentativas, dê-lhe uma dose de Nux vomica 9ch, duas vezes ao dia, durante dois ou três dias.
Sulfur é para a criança que muitas vezes tem coceira e irritação anal e geralmente quer mas não consegue defecar. Essa criança detesta ir ao banheiro e muitas vezes retém as fezes, pois tem medo da dor da evacuação. Suas fezes têm um odor bastante forte. Dê a essa criança uma dose de Sulfur 9ch, duas vezes ao dia, durante dois ou três dias.

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RECOMENDAÇÕES GERAIS

Aumente a quantidade de fibra e líquidos na dieta do seu filho.
Para estimular o movimento intestinal normal, dê ao seu filho chá de linhaça.
Para normalizar a flora intestinal, dê ao seu filho um suplemento de lactobacilos.
Selecione e administre um remédio homeopático apropriado.
Os enemas não têm praticamente nenhuma utilidade no tratamento da constipação infantil. O trato digestivo é uma "rua de mão única". Não foi feito para ser lavado de baixo para cima. A menos que seu médico receite um enema, a constipação do seu filho será melhor tratada de outras maneiras.
Massagear o abdome inferior do seu filho é reconfortante e ajuda a movimentar os intestinos. Massageie suavemente o abdome do seu filho, seguindo o movimento natural dos intestinos. Comece pelo "canto" direito inferior, suba na direção das costelas, pelo lado esquerdo e desça em direção à pélvis.
Evite usar panelas de alumínio. É possível que traços mínimos de alumínio possam exacerbar a constipação.

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PREVENÇÃO

Siga as diretrizes alimentares dadas nessa seção. Estimule seu filho a beber muita água mineral e outros líquidos e comer uma dieta rica em fibras. Frutas, verduras e cereais integrais devem ter um lugar de destaque no cardápio.
Estimule seu filho a praticar exercícios físicos. Limite o tempo em que seu filho vê televisão!
Dê ao seu filho uma dose de Lactobacillus acidophilus ou bifidus, uma vez ao dia, durante uma mês, para manter a flora intestinal.
Estimule seu filho a conhecer e a responder rapidamente às suas necessidades orgânicas. Explique que prender a evacuação dificulta o movimento intestinal e causa dor. Quando a criança pequena demonstrar vontade de ir ao banheiro, responda o mais rápido possível.


QUANDO CONSULTAR O MÉDICO SOBRE CONSTIPAÇÃO

O bebê constipado que esteja vomitando, sinta mal-estar e/ou não queira mamar, deve ser examinado pelo médico.
Se seu filho tiver fortes dores quando evacuar, se houver sangue nas fezes ou se você perceber um corte próximo ao reto do seu filho, consulte seu médico.
Se seu filho desenvolver constipação crônica ou persistente, deve ser examinado pelo médico. Em alguns casos, a constipação pode ser sinal de um problema interno, como obstrução intestinal. Certos problemas de saúde sérios, inclusive intoxicação por chumbo e hipotireoidismo, também podem causar constipação crônica. A constipação crônica, mesmo quando não está relacionada a nenhum problema subjacente, deve ser considerada com seriedade pois pode levar à perda do tônus muscular nos intestinos, dando início a um problema que pode durar a vida toda.